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BLOG DO LICÍNIO

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Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
Farmacêutico e professor (profissional), judoca, músico , poeta e desenhista (amador).

quarta-feira, 23 de março de 2016

PREMISSA ERRÔNEA, ERRO DE FATO

Por Licínio Andrade Gonçalves

Como pesquisador, cansei de ver experimentos fracassarem por estarem fundamentados em hipóteses erradas. O mesmo vem acontecendo com as análises do momento político nacional, ou seja, tendo como fundamento uma premissa errônea, não há como chegar a uma conclusão correta.
A primeira e principal premissa errônea e que vem motivando muito ódio nas ruas é a visão antiquada do que seria um governo de esquerda. Esta visão vem arraigada naqueles que, como eu, nasceram e cresceram durante a ditadura militar. Hoje em dia, quando falamos de esquerda, devemos fazê-lo pragmaticamente. Como diz Pio Giovani Dresch “não defendo coisas que no meu tempo histórico me parecem irrealizáveis. Para mim, hoje, no Brasil e no mundo, ser de esquerda é lutar pela redução das desigualdades sociais, por saúde e educação para todos, pela defesa do meio ambiente, pela igualdade de gêneros, por políticas de inclusão, contra a brutal concentração de renda”.
A premissa errônea número dois é que a corrupção é conjuntural, ou seja, está localizada física e temporalmente neste ou naquele governo. As provas recentemente recolhidas pela Operação Lava Jato junto à empreiteira Odebrecht, mostram planilhas com nomes de políticos ou não, que receberam “financiamento” da empreiteira. Alguns datam de 1980. Ou seja, a corrupção é estrutural e não conjuntural. Alternam-se os atores mas o palco permanece o mesmo. Digo mais, é provável (na verdade, certo) que este esquema exista desde de antes do governo militar.
Isso não exime ninguém de culpa! Só toco no assunto, pois a premissa de que trocar o governante acaba com a corrupção também é falsa. Como sugerido pelo Governo em 2013, logo após as manifestações que tomaram o país, a solução seria convocar uma Assembleia Nacional Constituinte para realizar uma ampla reforma política. Mas vejam bem, os representantes deveriam ser eleitos unicamente para este fim, ou acham que poderíamos deixar este assunto nas mãos dos atuais ocupantes do legislativo federal?
Há muitas outras premissas erradas, como a da isenção da imprensa e de setores do judiciário, mas prefiro deixar para outra hora. Enfim, não dá para encontrarmos respostas corretas quando fazemos as perguntas erradas, ou ainda, não podemos construir um novo país sobre os mesmos alicerces do velho e condenado sistema político.
Pense!

Fontes citadas:
http://bissexto.com.br/a-crise-e-a-solidao/http://extra.globo.com/noticias/brasil/contabilidade-da-odebrecht-indica-pagamento-de-propina-desde-os-anos-1980-18938164.html?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Há tempos não escrevo, mas gostaria de compartilhar um texto do prof Rodrigo Ribeiro, publicado no seu blog "Amontoado de Ideias".

Faço isso quando encontro um grau de comunhão de opiniões que me faz perguntar: - Por que não fui eu que escrevi?

Então, vamos ao texto!


"COMO É DAR AULA NO ENSINO SUPERIOR E A CORRUPÇÃO NA UNIVERSIDADE

24 junho 15
Pensei em escrever um texto crítico e formal a respeito da educação e da sociedade. Mas dizer que a educação é a salvação já ficou meio fora de moda. Portanto, acho melhor apenas contar pra vocês como é dar aula. Lembrando que este texto não é uma crítica à profissão. É apenas uma exposição das frustrações diárias e um apelo a uma mudança urgente de postura, não só dos alunos, mas da sociedade como um todo. Aqui mostro como a postura corrupta está enraizada nos alunos e já virou parte da comunidade acadêmica.

Antes, uma pausa para minha relação com a profissão. Particularmente, gosto muito de ensinar. Gosto de matemática e gosto de entender matemática. Passar adiante minhas paixões é algo que faço por amor. Nunca houve problema sério o bastante para não desaparecer diante do quadro, dos alunos e sobre o tablado. Dar aula e pensar a respeito de matemática apagam, momentaneamente, claro, todos os meus problemas.

“FAZ PROVA FÁCIL!”

Minha felicidade se esvai diante das avaliações, dos comentários, da falta de compromisso dos alunos. Ouve-se mais “alivia aí, fessô!” do que “bom dia”, “boa tarde” ou “boa noite.” Há liberdade para chorar, mas não há liberdade para a educação e cortesia.

“VALE PONTO, FESSÔ?”

Em sua maioria, aluno não faz nada sem receber algo em troca. E a moeda de troca é chamada de ponto. A única motivação é o ponto. Sugestão de livros? Só valendo ponto. Lista de exercícios? Só valendo ponto. Fazer pelo conhecimento é ser taxado de idiota.

TRABALHOS E LISTAS

Tudo copiado. A cópia é quase sempre nítida. Conjecturo que numa turma de k alunos, apenas \sqrt{k} realmente fazem os trabalhos, enquanto todo o restante apenas copia dos colegas.

Pai Rodrigo adivinhando o futuro: Esse aluno que só copia vai taxar de vagabundo moradores de rua. Vai dizer: “emprego tem demais, basta querer!”

AULAS DE EXERCÍCIOS

Durante aulas de exercícios, ninguém faz nada. O pedido geral é um resumão bem estilo pré-vestibular. Melhor ainda se você dar dicas do que cairá na prova (e pensar que nem assim os resultado são bons.) Gente pra gritar “faz um resumão aí, fessô!” Nunca falta. Você dá aula por meses antes de avaliação e aí lhe aparece vários que não prestaram atenção em nada, mas no dia da aula de exercícios eles aparecem lá só pra gritar a frase anterior ou pra escolher um exercício aleatório que sequer tentaram. Qual a razão de dar aula se no fim é dado um resumo mágico que abre todas as provas e desvenda todos os segredos?

LISTA DE PRESENÇA

Como aluno, confesso, nunca gostei de ir às aulas. Sempre preferi estudar sozinho. Assim poderia estudar durante a madruga, horário que sempre fui mais produtivo. Nunca tive problemas com chamadas. A aprovação era minha absolvição. Por conta disso, a única postura que adotei como professor foi a de passar uma lista de chamada e reprovar por infrequência apenas aqueles que não obtiveram 60 pontos. Ou seja, não precisou ir à universidade para ser aprovado? Parabéns, campeão.

A regra da UFMG é reprovar aluno infrequente. Tenha ele a pontuação necessária para sua aprovação ou não. Portanto, estou isentando o aluno de um dever: frequentar a universidade. Qual o resultado? Alunos assinam as listas pelos colegas. O sujeito foi livrado de um dever, mas ele não quer dar nada como contra-partida. Ele ainda quer o direito de, caso reprovado na pontuação, fazer o exame especial.

Nem vou comentar que assinar um documento em nome de outra pessoa é crime. Tem até nome: falsidade ideológica.

Logo, se o professor deseja ser rigoroso com a lista de presença, ele deve chamar nome a nome, como lá nos tempos da escolinha infantil Girafinha Feliz.

Pai Rodrigo adivinhando o futuro: Esse mesmo aluno que pede pro colega assinar a chamada, acha um absurdo o médico que só bate ponto e vai embora. Vai reclamar também do deputado que estava batendo dedo lá pro outro. Vai postar lá na timeline “É um absurdo!”

PROVAS E COLAS

Esta é a pior parte e a maior prova de que ninguém se preocupa com educação. Durante os meses de aula, o aluno não fez nada. Porém, chegada a prova, não foi possível estudar todo o conteúdo ou simplesmente não estudou mesmo. Qual o recurso utilizado? Cola. A pessoa não cumpriu com suas obrigações como aluno, nada fez até o momento da prova, porém ele ainda quer obter bom resultado. Apesar de totalmente irresponsável, o aluno ainda acha plausível apelar para a cola. Ainda quer uma boa nota. Isso é o absurdo dos absurdos. A incoerência da incoerência.

Existem ainda casos mais absurdos. Aqueles que os alunos pagam outros para fazer a avaliação em seus lugares (preciso lembrar que aqui também se comete crime?). Chegamos ao ponto ridículo de precisar olhar documento dos próprios alunos por conta dessa atitude patética. Isso é literalmente comprar o próprio diploma. É ridículo querer o diploma mas não querer fazer nada.

Pai Rodrigo adivinhando o futuro: O aluno colador, que hoje é engenheiro porque pagou gente mais esperta que ele pra se formar, vai gritar “Abaixo a corrupção!” aqui na porta de casa. Ele também vai compartilhar um monte de reportagem sobre escândalos de corrupção e vai dizer que esse país não tem jeito.

O ALUNO, O PATRÃO E O FUTURO

Enquanto considerou coisa de otário estudar quatro horas por dia, o aluno corrupto vai gastar 12h do seu dia, muito possivelmente, fazendo dinheiro pra outra pessoa. Ele não vai chegar pro chefe “alivia aí, chefe!”, “quebra essa aí, patrão!” porque ele sabe o destino de empregado molengão: rua. E ele vai dar duro, porque, ao contrário da educação superior, valoriza o emprego que tem. Sua timeline estará repleta de links contra a corrupção na política, contra desvio de verbas, enquanto continua perpetuando que colar não tem problema, assinar lista é “de boa” e pagar para fazerem suas avaliações é coisa de esperto. E assim continuaremos sendo essa sociedade que ainda não entendeu o valor moral e intelectual da universidade, pelos séculos dos séculos…"



segunda-feira, 12 de maio de 2014

Momento Mágico


Todos os domingos, durante a minha missão semanal de ajudar o coral das crianças na Paróquia Nossa Senhora do Pilar, acompanho com os olhos este garotinho, de quem não sei o nome, nem dele nem dos pais.

Vejo-o desde o colo, frequentadores assíduos que são os pais. Posso dizer que o vi começar a andar e galgar os primeiros passos em direção ao altar. Obviamente, criança atrai criança e foi assim que ele, neste último fim de semana, munido do seu violãozinho, veio me dar uma força na difícil tarefa de acompanhar meus colegas de violão (é que eu não ensaio e desconfio que mais atrapalho do que ajudo).

Sentou-se ao meu lado, não se deixou distrair, empunhou seu violão com desenvoltura e ainda fez pose para a foto. Terminada a jornada, olhou para mim, estendeu a mão espalmada, dei um tapinha e um soquinho. Ele tirou o bico, sorriu e disse tchau, como que diz "valeu, semana que vem estaremos aí de novo!".

A principal ajuda, porém, não veio na música, mas na vida. Eu que estava super-estressado pela semana profundamente cáustica para minha alegria e fé, recheadas de corre-corres e na luta maluca para ganhar a vida, percebi ali que tudo isso é loucura, graças à alegria daquele garoto.

Deus nos dá a vida e todo homem é criado para vivê-la e não para ganhá-la. Por que deveríamos ganhar aquilo que já nos foi dado? "Pois que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" Qual o sentido de nossa vida a não ser buscar Deus mais e mais? 

Como diz Santo Inácio de Loyola, "o homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus Nosso Senhor, e assim salvar a sua alma". Louvo a Deus por ter me dado a oportunidade de tocar com este menino e, assim, servi-lo na figura com que Ele mais se identifica.

Amém.

sábado, 14 de dezembro de 2013

A MADRUGADA, O ADVENTO E O CRISTÃO 
Licínio


Todos os dias, com o aproximar da noite, temos a certeza da efemeridade do dia. Entretanto, na madrugada, gravídica do Sol, temos a esperança de uma nova manhã que, quem sabe, pode ser eterna.

A humanidade, com toda sua efemeridade e enfermidade, sonha ser perene e sã, pois, como a madrugada, se encontra prenhe e esperançosa do nascimento do seu Sol, Jesus Cristo. Este nascimento é diário e particular, embora seus frutos sejam eternos e comunitários. Este mesmo nascimento se faz histórico e secular quando, movidos pelo Espírito que nos fecundou, tornamos o mundo transparente à realidade do Reino.

Cada ação que realizamos para a concretização deste Céu aqui na terra, faz uma ponte, ou melhor, abre uma janela no infinito vitral da Eternidade. Neste momento, damos a luz à LUZ, fazemos verdadeira a VERDADE, pois co-construímos a VIDA.

Porém, quando, ao contrário, nos fechamos a este Céu e colaboramos para que a nossa vida e a de outros seja um inferno, estamos caiando a magnífica janela de Deus. Neste momento abortamos, tal qual “Herodes” mais cruéis e tardios, a Boa Notícia que é Jesus e o Reino por Ele anunciado e exercido.


Portanto, neste contexto, podemos dizer que: Advento é uma atitude de esperança e Natal deve ser a certeza de que, mesmo apesar das estruturas de morte deste mundo, brilhará o Sol sobre todos e o Reino triunfará. Para que isso aconteça, faz-se mister ser verdadeiramente cristão e ser cristão é estar grávido do Evangelho, numa gravidez constante, para dar testemunho do que é Eterno.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Eu acuso (texto do prof. Igor Pantuzza Wildmann)

Como podem ver, todas as postagens que fiz até hoje são de minha autoria. Porém, recebi várias vez por e-mail o texto que se segue e aqui o reproduzo na íntegra por ser de minha completa concordância.


Licínio 
J’ACUSE !!!
(Eu acuso!)
(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)
Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice.
(Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...)
(Émile Zola)

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!). A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro. O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares. Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática. No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando... E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.” Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno–cliente... Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”. Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;
EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos” e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;
EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;
EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;
EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;
EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;
EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com
segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;
EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se  deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;
EU ACUSO os “cabeças–boas” que acham e ensinam que disciplina  é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,
EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;
EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.
EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;
EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;
Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos-clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia. Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”. A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita
raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.” Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário. 

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ELEIÇÕES NA ERA DA INTERNET

Fica difícil começar, ou melhor, organizar as idéias e compor um quadro do que vi e vivi até o presente momento na campanha eleitoral deste ano.
É difícil ser imparcial, especialmente com a história de vida que tenho junto ao PT. Deixo claro, pois, que o presente texto foi elaborado sob a ótica de alguém que, ainda adolescente, fez campanha para Sandra Starling no início dos anos 80 e que continuou, mesmo não sendo filiado, a trabalhar voluntariamente para o Partido nas diversas disputas eleitorais. Que tocou no comício do Lula em 1989 e que pela primeira vez não vai votar nele para presidente (quem sabe na próxima eleição?).
Não quero, portanto, que achem que não tenho posição política (como vem sendo praticado pelos meios de comunicação social de maior impacto no Brasil).
Indo ao assunto, o que mais me estarreceu foi o bombardeio de e-mails difamatórios, piadinhas jocosas e que visavam demonizar a candidata petista, mesmo sem argumentos para santificar o candidato tucano. Perdi horas respondendo à maioria destes e-mails e ficando enojado com as calúnias e distorções de fatos históricos que vi.
Vi uma guerrilheira ser chamada de terrorista (confusão comum para quem está do outro lado da trincheira). Vi profecias póstumas e textos apocalípticos que, se fosse criança, me trariam dificuldade de dormir à noite. Ilógica total, brigando contra os fatos, quererem provar que o governo Lula levou o Brasil à desgraça. Vi aqueles que nunca fizeram nada além de olhar para o próprio umbigo criticarem programas sociais do Governo Federal, que retiraram da miséria absoluta brasileiro e fizeram cumprir a promessa (ou expectativa) do Presidente no discurso proferido após a confirmação da vitória no primeiro mandato: “...que cada brasileiro fizesse três refeições ao dia...”.
Quando se tornava clara a derrota do tucanato, os meios de comunicação acima citados, criam factóides (como diria Brizola) e alegam cerceamento da liberdade de imprensa. Esquecem-se, pois, que durante o governo FHC existia a figura do Geraldo Brindeiro, mais conhecido como “Engavetador-Geral da República” e que abafou todos os escândalos com a conivência da imprensa dita “investigativa”. Como disse o próprio presidente: “Nós somos a opinião pública” indicando que é do povo a opinião e não dos donos dos meios de comunicação social. Obviamente, também foi distorcida esta fala.
Hoje tenho a convicção que o voto em Dilma representará uma nova fase no processo de democratização do país. Não fecho os olhos aos problemas ocorridos durante os dois mandatos e tenho consciência da imperfeição de toda e qualquer instituição humana, mas se no Governo Lula tivemos a invasão da “Casa Grande” pela “Senzala”, espero agora a definitiva abolição da escravatura.  No próximo dia 03 de outubro, véspera do dia de São Francisco, estarei digitando o número 13 para presidente e confirmando a esperança depositada já há oito anos em um Brasil melhor.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

 Há dez anos me tornei pai. Foi a primeira experiência. Sonhava com isso desde a infância, o que não deixa de ser curioso se olharmos com os olhos da contemporaneidade. Não sei bem o motivo, mas queria ter um filho e chamá-lo de Francisco, isso quando eu tinha os mesmos dez anos.
  Meu sonho virou realidade e, devo dizer, veio melhor que a encomenda. Tenho um filho, chamado Francisco, de dez anos, lindo e muitíssimo especial (quem o conhece sabe). É uma criança educada, pontual com os amigos, carinhosa com o irmão – é claro que as vezes falha – de bom gosto musical, bom estudante, muito criativo, bem... tem todos os atributos que um pai coruja poderia descrever.
  Entretanto, o maior presente que recebi quando ele nasceu e depois o Filipe, foi aprender a amar mais meus pais. Acho que só quando “vestimos a roupa”, quando “calçamos os sapatos” é que podemos compreender a “dor e a delícia” de sermos pais. Não que eu desmerecesse o que meus pais fizeram por mim e por meu irmão, mas é algo inexplicável. Só vivendo para experienciar.
  Havia horas, quando ele ainda era bebê e eu o embalava para dormir, que achava que meu coração ia explodir de tanta felicidade e amor. Ver seu primeiro sorriso, sua luta para andar e as primeiras palavras. Olha que custou a sair um “papai”! Mas é uma aventura linda de viver.
  Outra coisa, talvez a mais importante, foi dar significado à palavra Pai quando aplicada ao Deus que acredito. Tudo se torna diferente! Parece que cai a cortina e podemos entender todo Amor. Amor de quem dá o próprio Filho para que nos tornemos filhos também.
  Só posso concluir dizendo: Obrigado meu filho, muito obrigado papai e muitíssimo obrigado meu Pai!
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